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Circular economy
Módulo 1 - Sobre Economia Circular
A) O desafio
Assim, o modelo de Economia Circular (EC) é uma alternativa sustentável à economia linear e pretende resolver os problemas ambientais associados.
B) Objetivo e Definição de Economia Circular
O objetivo de uma Economia Circular é dissociar a atividade económica da extração de recursos naturais e manter o desenvolvimento económico, respeitando simultaneamente os limites do planeta. Outro objetivo fundamental de uma EC é melhorar a qualidade ambiental e, assim, contribuir para a regeneração ecológica (incluindo a proteção da biodiversidade), que é essencial para os serviços dos ecossistemas saudáveis dos quais as nossas sociedades dependem. Isto requer uma abordagem de poluição zero e a eliminação de quaisquer substâncias nocivas dos produtos e processos.
Economia Circular é um conceito amplo e existem diversas definições. “Um modelo económico em que a entrada e o desperdício de recursos, as emissões e as fugas de energia são minimizados através da desaceleração, do fecho e do estreitamento dos ciclos de materiais e energia” (Geissdoerfer et al, 2017).
Ou seja: numa EC, a extração de matérias-primas é reduzida, os recursos são mantidos em uso por mais tempo e os desperdícios são evitados e valorizados tanto quanto possível.
A transição para uma EC exige uma mudança estrutural em todos os setores da sociedade. Alguns deles têm papel importante, como repensar o design de produtos, criar modelos de negócios mais bem estruturados para a sustentabilidade e políticas públicas mais eficientes são alguns exemplos. Os agentes importantes nesta transição são, portanto, não apenas as empresas e organizações, mas também os decisores políticos, os educadores, os agentes de inovação social, as instituições financeiras, os investidores, o meio académico e os consumidores.
Princípios Circulares Chave
Minimizar o uso e a extração de recursos
As organizações devem ter como objetivo reduzir o uso e a extração desnecessárias de recursos, otimizando as entradas de materiais nos processos de produção. Isto envolve recusar, repensar e reduzir a entrada de recursos, concentrando-se em sistemas de produtos-serviços (servitização) baseados no desempenho, modelos de partilha e desmaterialização.
Manter os produtos em uso pelo maior tempo possível
As organizações devem priorizar manter os produtos em utilização pelo maior tempo possível, mantendo o seu valor. Isto envolve princípios de design circular, como durabilidade e capacidade de reutilização e reparação. A implementação de sistemas de produtos-serviços para renovação, refabricação ou reaproveitamento também contribui para prolongar a vida útil dos produtos.
Fechar ciclos de materiais
Todos os produtos devem ser concebidos tendo em conta a possibilidade de reciclagem. Quando a reparação, a reutilização ou outras estratégias circulares já não forem viáveis, os materiais utilizados nos produtos/componentes devem ser recuperados através da reciclagem circular. Este processo garante que a qualidade dos materiais é mantida ou melhorada, permitindo-lhes substituir materiais virgens em vez de serem reciclados em produtos de qualidade inferior. Contudo, para que a reciclagem seja eficaz, a utilização de substâncias perigosas e prejudiciais ao ambiente deve ser evitada desde o início.
Gestão do ecossistema
A economia circular, como parte da gestão sustentável dos recursos, visa prevenir a poluição resultante das atividades de produção e consumo para garantir a preservação da qualidade ambiental. Numa economia circular, as organizações têm a responsabilidade de salvaguardar ativamente os ecossistemas e investir na regeneração ecológica, melhorando a biodiversidade e restaurando os serviços dos ecossistemas para desfazer quaisquer danos e promover a melhoria ambiental geral.
5. Criar valor duradouro e partilhado
As estratégias circulares proporcionam benefícios económicos através da redução de custos e da valorização de resíduos, ao mesmo tempo que proporcionam vantagens ambientais e sociais, como a criação de emprego. No entanto, uma economia circular difere dos modelos convencionais de crescimento económico, visando benefícios sociais generalizados e de longo prazo. Em vez de se concentrar apenas no fluxo económico, mede a riqueza social, incluindo recursos naturais, culturais e humanos, com o crescimento a refletir a melhoria e o aumento da qualidade e quantidade destas ações.
O Diagrama Borboleta da Economia Circular, apresentado abaixo, fornece um resumo conciso de como os recursos são geridos dentro do modelo da economia circular. Permite visualizar dois ciclos interligados: o ciclo biológico e o ciclo técnico. O ciclo biológico envolve o retorno de materiais orgânicos ao meio ambiente por meio de processos naturais como a compostagem. O ciclo técnico concentra-se na reutilização, reparação, remanufatura ou reciclagem de materiais e produtos para minimizar o desperdício e conservar recursos. O Diagrama da Borboleta destaca a importância de fechar estes ciclos e criar um fluxo contínuo de recursos, levando a uma economia mais sustentável e circular.
C) Estratégias de Economia Circular
A economia circular é um sistema de produção e consumo que promove a utilização sustentável dos recursos, em ciclos fechados dinamizados por fontes renováveis, regenerando ecossistemas e garantindo o progresso social.
Existem alguns “R”s de estratégias circulares
que ajudam as organizações a tornar os seus processos mais sustentáveis, a repensar o seu modelo de negócio, a evitar o consumo excessivo de recursos e a ser mais eficazes na manutenção do valor. Estas estratégias complementam-se frequentemente e constituem uma abordagem para alcançar a circularidade e libertar todo o potencial de uma economia sustentável e regenerativa.
Na tabela seguinte podemos identificar as diferentes estratégias, os seus significados e as fases em que se enquadram quando considera-se uma economia mais circular ou mais linear.
Módulo 2 - Como organizar uma atividade de Economia Circular
1) Introdução
2) Ambito e Objetivos
3) Competências
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Pensamento sistêmico
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Inovação e criatividade
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Colaboração e trabalho em equipe
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Pensamento crítico e tomada de decisão
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Empreendedorismo e competências empresariais
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Consciência ambiental
4) Parceiros e colaboradores
5) Recursos / Orçamento
6) Materiais
7) Desenho da atividade e sua condução
8) Logística
9) Equipa
➔ Gestor de Projeto
Responsável geral pelo planeamento e execução da atividade. Coordena todas as etapas, define metas, prazos e aloca recursos. Assume a responsabilidade pela logística, gestão de parcerias e gestão financeira.
➔ Facilitador de Atividades
Responsável por dinamizar as atividades planeadas, envolver os participantes e conduzir as dinâmicas de forma interativa e educativa, alinhada aos objetivos da atividade. Contribui com conhecimentos específicos, fornecendo informações relevantes para as atividades planeadas e sensibilizando os participantes sobre as questões ambientais.
➔ Assistentes e Voluntários
Auxiliam o Gestor de Projetos e o Facilitador de Atividades em diversas tarefas, desde o apoio logístico até a condução das dinâmicas e atividades práticas.
➔ Responsável de Comunicação e Marketing
Responsável por comunicar a atividade de forma estratégica, utiliza canais de comunicação como redes sociais, e-mails e media local para atingir o público-alvo e garantir uma boa adesão.
➔ Responsável de Segurança
Garante a segurança dos participantes durante a atividade, previne que todas as normas de segurança são seguidas e toma precauções para evitar acidentes ou incidentes.
➔ Avaliador de Impacto
Responsável por desenvolver e aplicar métodos de avaliação para medir o impacto da atividade em relação aos objetivos de sustentabilidade, recolher feedback dos participantes e fornecer insights para melhorias futuras.
➔ Financeiro
Garante a gestão eficiente dos recursos financeiros disponíveis, acompanha o orçamento e as despesas relacionadas à atividade.
10) Comunicação
11) Diagnóstico
Lembrar
➔ Seja inclusivo e acessível
garanta que a atividade é acessível a todos, independentemente da idade, gênero ou capacidades, e forneça todo o apoio ou acomodações necessárias.
➔ Use uma abordagem participativa
Envolva os participantes na conceção e execução da atividade e incentive a colaboração, a criatividade e a experimentação.
➔ Envolva-se e torne-o divertido
Utilize atividades interativas para manter os participantes motivados e interessados.
➔ Meça o impacto
Avalie o impacto da sua atividade, utilizando métricas como taxas de participação e feedback para refinar e melhorar a sua atividade.
➔ Integre princípios de sustentabilidade
promover a inclusão social, priorizar atividades inclusivas com práticas sustentáveis que possam ser expandidas para o dia a dia dos jovens e criar consciência social.
Módulo 3 - Exemplos de boas práticas e como replicar
Existe uma grande variedade de atividades que podem ser replicadas no âmbito da Economia Circular, bem como a possibilidade de criar novas abordagens baseadas nos temas mencionados no capítulo anterior, com vista a um planeamento mais eficiente. No entanto, neste capítulo, iremos concentrar-nos em alguns exemplos específicos de atividades relacionadas com a Economia Circular que já foram implementadas. Discutiremos como essas atividades foram concebidas, executadas e as estratégias desenvolvidas para sua aplicação, monitorização e avaliação.
O projeto Erasmus+ “Viver vidas mais sustentáveis: soluções circulares para a integração de refugiados na Europa” (2020-1-PT01-KA204-078418) procura ajudar a integração de refugiados e migrantes na Europa, transmitindo competências baseadas no desperdício zero, na reutilização e na reparação. Ao transformar materiais descartados em criações valiosas e inovadoras, o projeto contribui tanto para a integração dos refugiados como para a promoção de modelos económicos sustentáveis, alinhando-se com os objetivos da Comissão Europeia para uma economia circular e com a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável. Este projeto está dividido em três módulos com exemplos de Educação Não Formal Curricular em Economia Circular para Refugiados e Migrantes. Utilizá-los-emos como exemplos para explicar como se concretizaram na dinâmica de uma atividade baseada na economia circular.
O projeto também procurou capacitar os refugiados, especialmente as mulheres, promovendo o seu crescimento profissional e abrindo perspetivas de emprego em setores como a alimentação, a moda e o design. Esta abordagem não só aproveitou os princípios da economia circular, mas também alinhou-se com as competências existentes dos refugiados, desenvolvidas através de economias informais, intercâmbios colaborativos e práticas locais sustentáveis.